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Rede de proteção Manguezais ganham importância diante de alterações no clima MARIA GUIMARÃES | Edição 216 - Fevereiro de 2014

17/02/2014 20:39
Ao longo dos estuários, baías, lagoas e braços de mar, árvores enfrentam condições pouco favoráveis e se debruçam sobre a água salobra. Às vezes representado por uma vegetação atarracada que forma uma franja verde, outras pelo emaranhado de raízes que funcionam como muletas em arco para manter...

Projeto Conhecendo o Manguezal


Breve Introdução


O manguezal é um ambiente de transição formado pelo encontro das águas dos rios com as do oceano, ocorrendo em regiões litorâneas abrigadas.
Conhecido como “berçário” da vida no mar – nesse ecossistema, uma série de organismos se desenvolvem -, há décadas vem o manguezal sendo degradado pelo homem, através de impactos ambientais causados pela ocupação desordenada e poluição incontrolada.
Dos 162 mil quilômetros quadrados de manguezais existentes no mundo inteiro, 20 mil encontram-se no Brasil, estendendo-se em nosso país desde o Amapá até Santa Catarina. Conhecer e proteger esse rico ecossistema é obrigação de todos.
 

Objetivos


Desenvolvido pelo Museu Natural do Mangue, o Projeto Conhecendo o Manguezal tem por objetivo levar estudantes dos ensinos fundamental e médio a conhecer “in loco” as principais características desse ecossistema, sua biodiversidade, adaptações, importância sócio-econômica e principais impactos ambientais, despertando nos educandos a consciência de preservação de um dos principais ecossistemas do planeta Terra.
O que o aluno pode encontrar no ManguezalMetodologia
Preliminarmente, antes da saída de campo, os alunos são levados ao Museu Natural do Mangue, onde realizam uma visita monitorada à entidade, assistindo breve palestra sobre o manguezal.
Posteriormente, ocorre a aula prática, com o acompanhamento de monitores e o deslocamento à área protegida de manguezal, situada na Foz do Rio Cocô APA da Sabiaguaba, Fortaleza /CE.
No local, os alunos são divididos em turmas, cada qual com o seu monitor, que os levam a conhecer in loco a rica diversidade vegetal e animal do ecossistema.
Durante a visita, focando também sua motivação ecológica, as turmas atuarão como “guardiões da natureza”, recolhendo em sacos plásticos fornecidos pelos monitores todo o lixo inorgânico encontrado durante o percurso.
Ao longo da atividade, os alunos poderão fazer anotações sobre aspectos interessantes da visita, bem como, registrar com máquinas fotográficas belas imagens do ecossistema manguezal, levando para casa e mostrando para os pais suas recordações do passeio educativo.
Em sala de aula, complementando os conhecimentos adquiridos no trabalho de campo, os professores poderão solicitar trabalhos ou realizar avaliações, como forma de testar e difundir os resultados obtidos com o projeto. Material necessário
Para participar do Projeto Conhecendo o Manguezal, os aventureiros deverão levar:
· Bota ou tênis velho
.     Boné ou Chapeú
· Bermuda ou Traje de banho
· Repelente (um para cada 6 alunos). 
· Bloco ou caderninho de anotações, com lápis.
· Máquina fotográfica (opcional) . Deverá ficar presa permanentemente ao pescoço com cordão, de modo a evitar o contato com a lama do mangue. Sugerimos o uso deste recurso apenas para professores ou monitores.
· Lanche simples
· Protetor Solar
· Mochila
OBS: A fim de evitar perdas materiais durante o passeio, não é recomendado levar objetos de valor, tais como relógio, telefone celular, mp3, etc.
Nossa equipe
Nossa equipe é formada por experientes e qualificados profissionais da área da eco-pedagogia, que ajudam os professores a organizar as turmas e monitoram o passeio, sob a coordenação do Ambientalista Rusty de Castro Sá Barreto.

O QUE É O MANGUE VERMELHO?

Outros nomes populares: mangue-vermelho, apareíba, guaparaíba, guapereiíba, mangue-verdadeiro

Etimologia: o nome Rhizophora vem do grego “rhiza” = raiz e “phorós” = portador, portanto “portador de raízes” devido às suas abundantes raízes adventícias (aéreas). Mangle é uma palavra caribenha que designa um conjunto de árvores de diferentes espécies.

Características gerais – Árvore de 6-12 m de altura (no sul do país é um arbusto de 1-4 m), com grande número de raízes aéreas (adventícias) que não somente lhe garantem a fixação no terreno instável do mangue como lhe fornecem a respiração em meio pobre de oxigênio. Folhas simples, rijas e coriáceas, inteiras, levemente mais claras na face inferior, de 8-10 cm de comprimento. Flores pequenas de cor branco-amarelada, reunidas em inflorescências axilares. Os frutos são do tipo baga alongada, coriácea, de cerca de 2,2 cm de comprimento, pêndulas e de cor acinzentada, contendo uma única semente. Esta germina quando ainda dentro do fruto e que ao se desprender da planta enterra a radícula no lôdo. Quando em ramo muito próximo do chão, chega a tocar e penetrar o solo antes mesmo de se desprender da planta.

Ocorrência: é freqüente em todos os estados e territórios litorâneos desde o Amapá até Santa Catarina, nas áreas de mangues e restingas úmidas, chegando a formar densas populações quase puras. Seu limite austral é na Ilha de Santa Catarina.

científico: Rhizophora mangle L.

Família: Rhizophoraceae

Utilidade: Fornece madeira vermelho-clara, apropriada para uso em construção civil, principalmente para de vigas de pequeno porte, caibros e esteios. É ótima para obras imersas, onde é quase imputrescível. Também usada para trabalhos de torno, peças de resistência, cabos de ferramentas, lenha e carvão. A casca, com mais de 30% de tanino, é largamente empregada na industria de curtume, conferindo aos couros bela coloração amarela. As folhas, além de também usadas em curtume, são aproveitadas na medicina caseira como adstringente poderoso. Para essa função, contudo, são a casca e raízes muito mais usadas. A existência dessa espécie nos manguezais é fundamental para o equilíbrio desse  frágil e importante ecosistema.

Informações ecológicas: planta perenifólia higrófila, é capaz de viver virtualmente dentro da água salgada, sendo exclusiva das restingas úmidas (manguezais). Forma densos agrupamentos ao longo de baías, enseadas e desembocaduras dos rios no mar. É a espécie que mais avança em direção ao mar, crescendo, portanto, em águas bastante profundas onde o terreno, somente nas marés mais baixas, fica a descoberto. Nesses locais geralmente forma populações puras. Nas partes mais rasas ocorre também uma outra espécie de mangue (Avicennia schaueriana), que forma com o mangue-vermelho associações bastante densas, decrescendo sua densidade a proporção que o solo se eleva em relação às marés altas. Na faixa das marés mais altas já ocorre em fraca densidade, sendo que nesta área domina em geral a terceira espécie de mangue – Laguncularia racemosa.

Produção de mudas: Colher os frutos já germinados diretamente da árvore, plantando-se diretamente no local definitivo (mangue), enterrando-se a radícula no lodo e deixando-se o restante do fruto fora da solo. O vai-vém das marés se encarrega da sua irrigação.

QUAIS O TIPOS DE MANGUES DA NOSSA ÁREA?